Conheça o cenário econômico que o futuro presidente da República encontrará

22/08/2018
POR: Portal Contábil S

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As soluções para a economia estarão entre os principais temas dos candidatos a presidente na campanha eleitoral iniciada na última quinta-feira (16). O maior desafio será a retomada do crescimento econômico, ainda em ritmo lento após a crise dos últimos anos.

O site G1 compilou os principais indicadores na economia para mostrar o cenário que o novo presidente vai encontrar. O rombo ainda elevado nas contas públicas é considerado por analistas como o “calcanhar de aquiles” da economia. Outros pontos fracos são o crescimento baixo do PIB (Produto Interno Bruto) e taxas de desemprego relativamente altas.

Ao mesmo tempo, o País tem bons números no setor externo, impulsionado pelo saldo positivo da balança comercial. Também tem reservas internacionais elevadas, que proporcionam proteção para a economia brasileira. Outros pontos fortes são a taxa básica de juros no patamar mínimo histórico de 6,5% ao ano e uma inflação bem comportada. Veja detalhes do cenário que o novo presidente deve encontrar na economia:

Contas públicas

Segundo números oficiais, as contas do governo vão registrar, em 2018, o quinto ano consecutivo de déficit. A meta fiscal para este ano é de um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida pública) de até R$ 159 bilhões, o que representaria uma piora frente ao patamar de 2017 (-R$ 124 bilhões). Analistas apontam que o déficit fiscal pode ficar abaixo da meta fixada para este ano, em R$ 148 bilhões.

Dívida pública

Com a piora das contas públicas nos últimos anos, a dívida bruta do setor público consolidado (governo, estados, municípios e empresas estatais) apresentou crescimento nos últimos anos. Segundo dados do Banco Central, a dívida bruta atingiu o patamar de R$ 5,165 trilhões em junho, ou 77,2% do PIB, novo recorde histórico.

De acordo com o critério utilizado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para comparação internacional – que considera os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional na carteira do Banco Central –, esse endividamento estava maior ainda em junho, atingindo 86,5% do PIB, bem acima da média dos países emergentes, de cerca de 50% do PIB.

Produto Interno Bruto

Depois de a economia ter saído da recessão com uma expansão de 1% em 2017, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 0,4% no 1º trimestre de 2018, na 5ª alta seguida na comparação com os três meses anteriores. Esse foi o último resultado oficial divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mesmo assim, a recuperação econômica ainda segue em ritmo considerado lento pelos economistas.

Desemprego

A taxa de desemprego continua relativamente elevada. Somou 12,4% no trimestre encerrado em junho deste ano, o que equivale a 13 milhões de brasileiros desempregados. Embora tenha apresentado queda em relação ao recorde histórico de 13,7%, do primeiro trimestre de 2017, ainda segue bem acima da mínima histórica de 6,2% apurada nos três últimos meses de 2013. A série histórica do IBGE  tem início em 2012.

Contas externas

Nas contas externas, os resultados têm sido positivos devido aos saldos da balança comercial brasileira (exportações menos importações). A conta de transações correntes, formada pela balança comercial, pelos serviços e rendas, vem apresentando déficits menores – que têm sido financiados integralmente pelo ingresso de investimentos estrangeiros diretos nos últimos anos. Além disso, o Brasil possui reservas internacionais de US$ 380 bilhões – que ajudam a conter crises cambiais.

Taxa básica de juros da economia

O País tem atualmente a menor taxa básica de juros da história. Depois de 12 cortes consecutivos, a taxa Selic está, atualmente, em 6,5% ao ano, o menor nível da série do Banco Central, que tem início em 1986. Entretanto, apesar de a Selic estar na mínima histórica, os juros bancários seguem elevados.

Inflação oficial

A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), fechou 2017 em 2,95%, abaixo do piso da meta fixada pelo governo, de 3%. Foi a primeira vez que isso acontece desde que o regime de metas foi implantado no País, em 1999. Em 12 meses até julho (último número), a taxa subiu para 4,48% por conta, principalmente, da influência da inflação de junho (que sofreu os efeitos da greve dos caminhoneiros). Mas os analistas seguem estimando inflação na meta neste ano e no próximo, respectivamente, em 4,15% e em 4,10%.