Como contabilizar as despesas de fim de ano

07/12/2016

Foto: Culturamix

As despesas extras de fim de ano se aproximam. Natal e Ano Novo sugerem gastos. E a expectativa é que a economia não se recupere totalmente em 2017, já que este ano foi marcado por uma forte movimentação política e econômica. Diante desta realidade, em entrevista ao Portal Dedução, o especialista em Educação Financeira Uesley Lima ressalta que todo empresário deve levar em consideração que ainda vivemos em um País com alto índice de desemprego, o que faz com que, a cada dia, as famílias fiquem mais endividas. Ele explica que é natural que, nessa época de consumismo acelerado, as pessoas fiquem movidas pelo espírito de mais um ano que se passa. “Portanto, cada um – pessoa física ou jurídica, dentro da sua realidade, tem de ficar extremamente atento aos gastos”.

É importante que as empresas planejem seus gastos de fim de ano?

Vivemos uma mudança política econômica importante no País. Começamos o ano com 12 milhões de desempregados, mergulhados na inflação acima da meta e com alta taxa de juros. Um ciclo vicioso que fez o País perder seu poder de crescimento. Ser funcionário trouxe medo, medo do desemprego, ser empresário trouxe angústia, aflição de não arcar com seus compromissos. Com a mudança política tivemos uma injeção de ânimo e esperança. E é neste momento de dúvida, que o foco do empresário deve ser na contenção de gastos, no controle ponto a ponto. Chegamos ao fim do ano, momento de comemoração e novas expectativas para o ano que começa, então a ordem deve ser planejamento, controle de caixa, moderação sobre o que é relevante.

É possível (e oportuno) economizar nas festas de fim de ano empresariais?

Não só e possível economizar nas festas de final de ano, como no atual momento de incertezas, isso é praticamente uma obrigação. No final do ano todos somos tomados pelo espírito do novo, da expectativa, do sonho. E uma das formas natural do ser humano compensar a adversidade ou até mesmo as conquistas é através da confraternização. Então fica a dica, o que as pessoas realmente querem é o relacionamento pessoal, neste final de ano não deixem de comemorar, porém tenham consciência do custo que estas festas podem trazer, optem pelo que for pessoal, em conversar e escutar os funcionários e preparar todas as etapas do evento.

Em sua opinião, planejar com antecedência é preciso para a confraternização não acabar seguindo a temática do terror?

Planejamento do evento é essencial para que a festa seja um sucesso, que os custos estejam controlados e também para que não ocorra aquela famosa ressaca e vergonha pós festa. Alguns pontos importantes devem ser levados em consideração, como: número de convidados exato e se estes poderão levar acompanhante; verificar com antecedência o espaço e, se possível escolhê-lo dentro do orçamento; bebidas alcoólicas custam e podem ser o grande vilão, por isso é importante estabelecer um horário para começar a servir, por exemplo após o pronunciamento dos superiores, e um prazo para servir; optar, se este for o caso, por um buffet reduzido; conceder espaço para os talentos internos; estimular e engajar a equipe, sempre optando por atividades de integração.

O Contador pode ajudar o empresário quando o assunto é festa de fim de ano?

Peça fundamental no crescimento da empresa, ter um bom contador, melhor que isto, um contador que realmente seja presente e confie, não só vai ajudar no planejamento financeiro para as comemorações de final de ano, mas terá papel importante em decisões contábeis corriqueiras como salários, participação de lucro dos funcionários, presentes e brindes que serão dados aos empregados e colaboradores.

Ao fazer um bom planejamento, fica mais fácil cuidar do orçamento para não faltarem recursos para as despesas que vêm em janeiro, como férias de funcionários e impostos que tradicionalmente abrem o ano?

Planejar muitas vezes faz com que não só a empresa, mas a pessoa comum encare uma realidade dura, que muitas vezes ela prefere esconder a ter de enfrentar de frente. Essencial para um crescimento sadio e para um fluxo de caixa confortável, toda empresa tem que ter o total controle daquilo que entra de receita e suas despesas, que até certo ponto parece ser o óbvio, mas muitas vezes negligenciado. E somente a partir deste controle podemos fazer um diagnóstico da saúde financeira da empresa, e de forma estratégica assumir os custo e encargos de final de ano, tanto quanto em relação aos funcionários ou quanto as projeções e expectativas para o próximo ano.

As despesas de fim de ano também geram reflexos na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como na escrituração contábil?

Distribuir brindes ou presentes é uma das melhores formas para recompensar funcionários, agradecer colaboradores e estreitar o relacionamento com clientes e fornecedores. Acontece que, como todas as despesas realizadas pelas empresas, os brindes também geram reflexos no fluxo de caixa da empresa. A dica fundamental é: contar sempre com a ajuda do profissional da Contabilidade para resolver estas questões. É este especialista quem irá ajudar o empresário com toda legislação específica, com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS, a declaração dos impostos e todo tratamento contábil.

Muitos empresários consideram fim de ano como sinônimos de despesas. Qual sua opinião sobre este pensamento?

Na realidade esse é um fato que reflete justamente a saúde financeira da empresa. Vou tentar ser o mais específico possível, em duas situações distintas. Em um primeiro momento, um empresário endividado, com crescimento menor que o esperado, enfim, que não chega ao final do ano como gostaria, simplesmente gera mais despesa, mais encargos. Em um segundo plano, um empresário que chega ao final do ano com caixa acumulado, com perspectiva de mais crescimento, vive na mesma época o oposto. Qual dos dois está certo? Somente poderíamos responder vivendo a situação de cada um, porém de uma coisa tenho certeza, todos gostaríamos de estar na situação número dois, de termos planejamento financeiro, de chegarmos ao fim do ano com metas batidas, com expectativas realizadas, e assim encararíamos o final de ano como deve ser encarado, como época de renovação, de novas metas e de novos planos.

O peso da folha de pagamento no balanço geral de uma empresa no fim do ano aumenta significativamente. Como arcar com essa situação se a empresa estiver no vermelho?

Embora gere esperanças pelo aquecimento do consumo, o período de fim de ano traz, também, dores de cabeça para as empresas. O pagamento do 13º salário de funcionários, impostos e os dias parados são dificuldades, principalmente àquelas que não se planejaram adequadamente. O primeiro grande passo então é se programar, não somente pensar no dinheiro que entra na empresa mas também no que sai. Porém, para quem não se programou, ou pior, para aqueles que estão no vermelho, o cuidado tem de ser redobrado para não cair em armadilhas, sabendo que não podem fugir das despesas, não existe como não pagar o 13º, por exemplo. Neste caso, possíveis soluções devem ser avaliadas de empresa para empresa, mas na maioria tentar evitar medidas que levem a tomada de crédito, como: combinar com fornecedores a postergação dos pagamentos ou negociar o adiantamento das receitas de cliente; normalmente, é nessa época do ano, também, que muitos contratos de fornecimento se encerram, dando oportunidade às empresas de reavaliarem seus compromissos antes de renová-los; redução de custo e até mesmo a avaliação de usar o capital de giro. E sempre levar em consideração que este problema tem potencial para se transformar em um ganho para as empresas, caso aproveitem o momento para readequarem suas estratégias

O senhor aconselha, como solução às empresas endividadas, pegar capital de giro em instituições bancárias e diluir o valor do pagamento em vários meses?

Capital de giro é o capital necessário para financiar a continuidade das operações da empresa, como recursos para financiamento aos clientes (nas vendas a prazo), para manter estoques e para pagamento aos fornecedores (compras de matéria-prima ou mercadorias de revenda). Além disso, ele pode ser útil para pagar impostos, salários e demais custos e despesas operacionais. Assim, o capital de giro é uma ferramenta operacional importante para empresa, deve ser avaliado a sua utilização com inteligência financeira e pode sim ser usado para ajustas pendências financeiras.

Por Danielle Ruas / Fonte: Portal Dedução

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