Gastos com a Previdência superam investimentos em infraestrutura

09/11/2016

 

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O governo gasta mais com pagamentos da Previdência Social do que em infraestrutura, avalia o economista Paulo Tafner, ex-pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea e ex-diretor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE. Os custos com o pagamento de aposentadoria por tempo de serviço, por exemplo, equivalem a 13 vezes mais do que se gasta com infraestrutura de transporte no Brasil, considerando dados deste ano. Os pagamentos das aposentadorias por idade, segundo o economista, equivalem a sete vezes mais do que se investe no Programa Minha Casa, Minha Vida. As despesas com a aposentadoria rural são 50 vezes maiores do que com saneamento e o valor total das pensões por morte é igual a todo o gasto com saúde no país, de acordo com Tafner.

Em palestra nesta segunda-feira (31/10)  na Associação Comercial de São Paulo, o economista defendeu mudanças drásticas na Previdência, como a redução ou até extinção de aposentadorias especiais para professores e policiais militares, com regras diferentes das demais categorias. “Eles estão impactando enormemente a despesa previdenciária nos estados. Só que a legislação é federal e os governadores são vencidos, não podem fazer nada”, criticou. Tafner sugeriu se desconstitucionalizar a Previdência, para tornar assim mais fácil, se modificar as regras e citou o caso do Japão, que estabelece a idade para a aposentadoria em uma lei infraconstitucional, que varia a cada cinco anos de acordo com a mudança da expectativa de vida da população.

Para o economista, no caso do Brasil, o cálculo da idade para aposentadoria do trabalhador deve considerar a esperança de vida aos 60 anos e não a expectativa de vida ao nascer. Ele deu como exemplo, a década de 1980, onde pessoas com 60 anos viviam, em média, mais 15,8 anos, ou seja, até os 75,8 anos (73,9 para homens e 77,6 para mulheres). No entanto, a expectativa de vida ao nascer naquela década, influenciada pela mortalidade infantil, era de 62 anos (65,5 anos para mulheres e 58,4 para homens).

Em 2010, de acordo com o economista, a esperança de vida aos 60 subiu para mais 21,9 anos (chegando a 80,1 para homens e 83,6 anos para mulheres). Paulo Tafner também é a favor do fim da diferenciação entre homens e mulheres na definição da idade mínima para se aposentar. Ele defendeu ainda, a desindexação das aposentadorias ao salário-mínimo. “Quanto mais cresce o PIB – Produto Interno Bruto, mais cresce o salário-mínimo e maior é a despesa indexada ao salário-mínimo no INSS – Instituto Nacional do Seguro Social.

Na década de 1980, menos de 30% da despesa era indexada ao salário-mínimo, hoje já é 45%, um crescimento enorme”, comparou Paulo Tafner.

Fonte: Agência Brasil

POR CONTÁBEIS